Relembrando o OPERA RPG

livroopera

Durante a faculdade, eu estava extremamente insatisfeito com os RPGs da época (algo entre 2002 e 2004, provavelmente – a memória me falha). D&D via seus primeiros anos com a sua terceira edição e foi neste momento que me despedi do jogo, por pura insatisfação. Os lançamentos dos demais jogos também decepcionavam, sem falar na relativa escassez que o GURPS passava diante das dificuldades claras da Devir em publicar seus livros.

Então parti em busca de algum RPG que pudesse me oferecer algo diferente daquilo que estava acostumado. Foi nessa época que encontrei o Fuzion, Fudge e Fate. Aprendi as vantagens e desvantagens de cada um. Porém, nenhum destes jogos rendeu tantas partidas como o OPERA RPG e é sobre ele que eu quero falar hoje.

Conheci o OPERA ainda na sua versão 6.0, depois de uma matéria na Dragão Brasil, quando o sistema ainda estava no circuito “underground” dos encontros de RPG. Na época, ele estava disponível na íntegra em PDF. Lembro-me que ainda digeria seu conteúdo quando sua versão impressa (pela editora Comic Store). Sedento por material novo e empolgado com o que havia lido até o momento, adquiri o Modulo Básico assim que pude.

Então o resto é história (literalmente). Foram incontáveis aventuras e campanhas. Com o OPERA fui capaz de explorar gêneros diferentes, com um conjunto de regras bem peculiar. O visual evocava bem o clima das temáticas que estavam em alta nos RPGs da época.

livroomlddEmbora na época o jogo fosse visto como “o GURPS brasileiro”, OPERA mostrava resolver as coisas de forma um pouco diferentes e quase sempre mais simples (eu disse “quase sempre”). Ainda que não houvesse grandes inovações mecânicas, OPERA definiu o que significa ser um RPG completo logo no seu livro de regras pois haviam parâmetros pré-definidos para quase tudo: armas, armaduras, veículos, magias, super poderes e até artes marciais. Este último um acréscimo muito interessante, ainda difícil de se ver nos sistemas genéricos hoje em dia.

Para mim, OPERA me dá saudade, tanto quanto os filmes da Sessão da Tarde. Ele me faz recordar de um tempo em que eu era dedicado ao hobby e de quando vivenciava meu auge criativo como Mestre (ou melhor: Observador).

Comprei e joguei à exaustão dois suplementos: O Mais Longo Dos Dias e 1887 – Sob o Sol do Novo México. Lançamentos interessantes e longes de serem considerados usuais. Na verdade, lembro-me de certa carência na comunidade dos jogadores de OPERA por algum material dito tradicional (i.e. Fantasia Medieval). A linha editorial de OPERA “insistia” em trazer coisas que, antes, não tinham representantes em língua portuguesa e, caras, sou muito grato por isso!

Se muitos guardam com carinho D&D como sistema predileto, OPERA exerce este papel na minha carreira de jogador. Simplesmente porque o OPERA me ensinou a realmente experimentar novos gêneros além do usual. Me ensinou quão poderoso um único livro de regras pode ser e que todos os demais jogos sempre continham ideias que poderiam ser facilmente aproveitadas por mim.

Ao longo do tempo, meu interesse pelo RPG foi definhando e as partidas foram decaindo em quantidade e qualidade. Em determinado ponto eu quase abandonei o hobby. Desde então não joguei mais o OPERA e ainda levou um bom tempo até que pudesse retomar aventuras e campanhas. Apesar de estar pirando com MODULA 6, Fate e outras empreitadas, está claro para mim que OPERA é a maior das lições que tive como jogador e este jogo ainda influencia no que eu espero de um RPG.

Hoje, você ainda pode encontrar material do OPERA em sua forma mais atual: o ReOps. Se você se interessar pelo material gratuito, poderá comprar a versão impressa do livro de regras pelo serviço de Print On Demand.

Além do material do ReOps, não poderia de citar o Terras de Shiang do Leo Andrade que é um dos cenários de fantasia completo e original. Você pode apreciar o trabalho do cara no site do cenário e baixar o PDF aqui.