Uma conquista desbloqueada

Quando comecei esse blog em 2007 eu queria ter um jogo próprio e finalmente terminei meu primeiro RPG. Foram várias versões do jogo, sistemas abertos e tentativas ao longo dos anos, mas acho que finalmente consegui.

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Inicialmente, eu queria um RPG genérico nos moldes de GURPS. Para mim RPGs genéricos são importantes por um motivo: a diversidade.

Eu não leio somente um gênero de livro nem assisto filmes com um único tema, por que deveria ser assim com o RPG? Embora eu tenha um gênero favorito (Fantasia) eu não queria deixar de contar histórias de outros tipos.

Por outro lado, não gosto de “colecionar” sistemas. Coleção de jogos? Talvez. Mas sistemas de RPG nunca foram o principal nem mesmo essencial. Eu queria um sistema que me permitisse jogar qualquer coisa, mesmo que sem tanta minúcia.Por isso escolhi os moldes e paradigmas de Atributos/Vantagens/Desvantagens/Perícias para montar as primeiras versões de Nereus (que se chamava Sistema XMind antigamente).

Quando o SRD do Fate Accelerated Edition eu vi uma oportunidade de trabalhar em um sistema simples, coeso e flexível. A mecânica de Aspectos do Fate o consagrou e eu particularmente adoro esta mecânica por permitir colocar o clima e o tema do gênero em jogo. Um jogo de horror terá Aspectos assustadores, grotescos, diabólicos. Um pouco de tensão e suspense requerem Aspectos um pouco mais subjetivos. Para animes e mangá, crie aspectos com o jargão do estilo e assim por diante.

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Agora, dois anos depois, estou nas vésperas de publicar na internet o Módulo Básico do “reboot” do sistema da casa: Nereus mudou completamente de paradigma. Sai o simulacionismo e a minúcia de GURPS/Fuzion/OPERA e entra o narrativismo e a velocidade do Fate Accelerated. Essa “reconfiguração” me faz pensar que está é a “primeira edição” do jogo e o módulo básico será encarado dessa forma por mim.

Escrever em cima do Fate tem sido prazeroso. Nereus colocará tudo que sei sobre Fate em palavras simples, oferecendo um módulo básico enxuto mas que permite colocar muitas ideias em prática. Busquei explicar como personalizar o sistema com base naquilo que eu julguei correto em Fate. No livro de regras irei dizer como criar um poder extraordinário que começa com uma Façanha e termina com um conjunto de Aspectos que pertencem ao poder (ao invés de pertencer ao personagem). Você poderá montar sua própria escola arte marcial ou armas, armaduras e artefatos. Entenderá que naves e robôs gigantes funcionam exatamente como personagens.

Sei que muitos que jogam Fate encontraram outras formas de representar essas mesmas coisas. Mas é por isso que Nereus é, por si só, um “build genérico” do Fate com minhas preferências sobre as coisas que o sistema pai deixa, intencionalmente, em aberto.

Por outro lado, deixei muita coisa solta para permitir que o grupo imponha sua vontade sobre o sistema, ao invés do contrário. O resultado será um jogo com a sua cara, isso se você estiver disposto a contar histórias sem depender dos elementos pré-definidos que são fundamentais em outros jogos. Não existe uma lista de façanhas, mas você poderá criar o que quiser, basta seguir um dos modelos propostos. Não existe uma lista de poderes ou feitiços, mas seu personagem mago fará uma porção de coisas legais se você permitir que ele faça.

Salvo algumas aventuras experimentais de D&D, Nereus tem sido o único jogo que eu trago às meses nos últimos dois anos. Uma campanha de fantasia bem sucedida e diversas aventuras “one-shot” de gêneros diversos foram fundamentais para testar a aceitação dos termos que eu escolhi na tradução e como os extras iriam funcionar na partida.

Foi uma longa jornada e ela chega ao seu fim. No dia 20 de Outubro, o PDF estará disponível no site para download gratuito. O texto e imagens estão todos sob a licença Creative Commons. Fiz este livro para mim mesmo, mas gosto da ideia de compartilhar o material e fiz isso da melhor maneira que pude, considerando meus recursos e conhecimentos. Com o Módulo Básico eu encerro um ciclo de procura pelo meu ideal de jogo, embora eu saiba que o livro em si possui alguns defeitos…

… mas “feito” é melhor que “perfeito”.

Agora começo uma nova jornada: suplementos. Mas esse será um assunto para outro post.

Page Illustrations by David Revoy (cc-by). Thanks Dave, your art inspires other open contents as well 🙂