As coisas que eu mais gosto no RPG

Originalmente esse post nasceu tinha uma ideia oposta: escrever sobre as coisas que me irritam no RPG. Mas eu decidi deixar isso pra lá. Espero que ao final desta lista, você entenda porque. Chega de raiva, desgosto ou fanboys. Sem mais delongas, eis as coisas que mais me agradam e que fazem do RPG meu hobby favorito!

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1. Não preciso saber regra nenhuma

Jogar RPG é juntar uma galera em volta de um monte de comida e bebida e dar um monte de risadas a noite toda e nem nos damos ao trabalho de decorar uma única regra. Na verdade inventamos uma porção delas.

Eu já contei histórias sobre um grupo de aventureiros sobreviventes de um naufrágio em uma ilha infestada de mortos vivos controlados por um necromante tomado pela loucura. Essa aventura usamos dois atributos (Físico, Mental) e uma moeda. Nada mais, nada menos. O sistema era uma porcaria, mas mesmo assim contei uma das minha histórias mais assustadoras.

Jogar RPG é um mero pretexto. Na verdade o que eu espero da regra é que ela me surpreenda e tire as coisas do eixo quando menos esperamos. Mas no fim das contas, a surpresa dos dados é apenas um ingrediente de algo muito maior…

2. Ninguém perde, todos ganham

Odeio competir, pelo simples fato que sou PÉSSIMO nisso. Sempre fui ruim em todo tipo de competição: na corrida de sacos, no futebol, no boliche ou qualquer gincana que você puder conceber.

O RPG era o único jogo que eu não tinha que me preocupar com a rasteira do jogador ao lado. Ele ia errar tanto quanto eu e eu poderia ajudá-lo a levantar, sabendo que sem ele dificilmente meu personagem iria sobreviver.

Como GM, eu nunca tirei um personagem de cena. Nenhum protagonista morre por nada em uma história e se isso algum dia acontecer em minha mesa, o resto do grupo irá lamentar profundamente – pois estamos juntos, contanto cenas e situações divertidas.

Gosto de colocar os personagens no limite. Aquele último PV, ultima consequência ou fadiga. Estamos prestes a pedir rendição, mas é nessas horas que as boas ideias aparecem. E é incrível como QUASE SEMPRE a ideia vem de um jogador sugerindo algo para o personagem de seu amigo. O que nos leva a moral do jogo: cooperação é o sucesso do jogo.

3. Minha mídia pessoal

Com o RPG estou jogando cenários exóticos, gêneros desconhecidos e criando muitas e muitas coisas.

Eu fiquei impressionado com o fato de que o Fate exige que você crie coisas por conta. Ele vai te dar aquele empurrãozinho, mas não vai te entregar o peixe. Essa é a chance que eu tenho de desenvolver jogos e ideias, quase como o Lego me permite montar uma casinha ou um carrinho de brinquedo.

O meu Nereus Módulo Básico é o resultado disso: eu traduzi textos em inglês, adaptei material utilizando uma licença aberta e escrevi sobre coisas que joguei no improviso mas que viraram regras sólidas em minhas campanhas.

Hoje tenho um jogo que posso dizer que é MEU. Nada mais recompensador e nenhum hobby me permitiu isso até agora.

4. Exploro universos imaginários

Semana passada eu me perguntei como poderia projetar um “Sprawl” para uma história cyberpunk. Na anterior, como poderia transformar o mapa do metrô de São Paulo em uma cidade subterrânea em um mundo pós apocalíptico. Sendo que no mês passado estava criando vilarejos, montanhas e florestas para o meu eterno cenário de campanha de fantasia.

São projeções dos cantos da minha mente que eu sei que refletem meu humor. É uma válvula de escape.

Ao mesmo tempo, isso me instiga a ler mais, pesquisar sobre coisas que eu jamais pesquisaria. Afinal, semana que vem pretendo montar uma aventura de horror que se passa no interior de Minas Gerais num Brasil Colonial alternativo.

Que venham mais ideias, porque sei que posso dar vida a elas com dados, papel e lápis.