#RPGaDay6 – RPG mais recente jogado: Nereus RPG

nereusMB
Capa: David Revoy (CC-BY)

Minha última partida de RPG foi utilizando o vindouro Módulo Básico do meu “build” genérico do Fate: o Nereus RPG. Acho que essa é uma boa oportunidade para eu falar da partida e o que o jogo pode apresentar para a comunidade de jogadores de Fate.

Como algum de vocês sabem, desde 2007 que eu apresento um sistema genérico “da casa” pelo simples fato de eu estar ligado a muitos gêneros, não somente a fantasia medieval – embora ela seja minha favorita.

Portanto “Nereus” é um nome genérico qualquer para um sistema genérico qualquer e eu não tenho absolutamente nenhuma ambição com ele. Nos primórdios eu tentei imitar meu sistema favorito da época: OPERA, um dos melhores sistemas que eu já joguei (que ainda resiste por meio de lançamentos como Terras de Shiang).

Mas era uma frustração tremenda repassar tudo para a linguagem do Nereus. O meu sistema estava difícil de equilibrar e levou em torno de 3 edições para ele ser considerado estável.

Então resolvi criar um build genérico com base em outro sistema que utilizasse alguma licença aberta. O escolhido, entre muitos candidatos, foi o Fate Core. Em 2013 eu lancei a primeira encarnação do Nereus “powered by Fate” que era uma tradução rudimentar do Fate Accelerated Edition. Aos poucos fui agregando mais e mais elementos do Fate Core, Toolkit e algumas ideias minhas do jogo. O resultado desse esforço nas horas vagas você pode ver em partes no Livro de Regras Básicas. Módulo Básico que foi revisado e será o “reboot” do sistema. A nova versão será lançado no dia 20 de outubro, pois é o dia seguinte em que as ilustrações de N. C. Wyeth irá virar domínio público no Brasil e no seu país de origem (EUA). Ele é o ilustrador de muitas páginas do Módulo Básico.

Foi este o jogo que eu joguei pela última vez. Queria testar a receptividade dos termos que escolhi para a tradução e o entendimento das regras. Eu usei como “cobaia” meu cenário de Sword & Sorcery que ganhou um selo interessante de um dos jogadores naquela partida, o “medieval podrão”. Era exatamente o que eu queria: inspirar um pouco da decadência do mundo predominantemente com tecnologia medieval. Não pude sair dali mais satisfeito.

Esta aventura será o ponto inicial para o meu cenário “Reinos de Sombra e Névoa” que irei escrever em algum momento depois do lançamento do MB.

O jogo serviu para reforçar alguns pontos fortes do Fate: ele é um sistema que aceita qualquer ideia maluca, desde que o grupo esteja disposto a contar uma história ao invés de tornar o aspecto uma fonte de poder.Não caia na armadilha de que “tudo é um aspecto”, do contrário o jogo irá ficar muito sobrecarregado.

Um aviso importante que eu posso repassar aos jogadores de Fate em geral: esqueçam a ideia de simular armas, armaduras, danos, efeitos, talentos específicos e minúcias mecânicas de cada elemento de jogo. Fate é horrível nisso, ele funciona bem mais quando você quer contar que coisas incríveis sobre algo ou alguém.

Por fim, gostaria de dizer que Nereus não quer competir com ninguém. Por mais que a Solar tenha lançado o Fate recentemente, eu quero colocar Nereus como uma forma de dizer “é assim que eu jogo Fate, usem se quiserem”. O jogo original ao qual o meu foi baseado, é aberto o suficiente para permitir esse tipo de material e quem sabe você irá se interessar por ele também?