Crônicas Fantásticas #1: Mitologia e Sword & Sorcery

A versão final da quarta edição do Nereus está pronta, sendo esta a primeira versão “completa” desde que eu decidi baseá-lo no engine do Fate. As três primeiras edições (publicadas entre 2007 e 2013) tentaram tornar jogável um sistema próprio com fortes influências de GURPS, Fuzion e OPERA.

Vou dar mais detalhes em breve, mas o lançamento do PDF está marcado para o dia 20 de Outubro.

Agora, com o MB pronto eu posso finalmente me dedicar a escrever um suplemento para ele. Decidi começar pelo meu gênero favorito: a fantasia medieval. Então eu decidi juntar um outro projeto meu: Crônicas Fantásticas. Um RPG com sistema e ambientação próprios que eu estou escrevendo.

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Embora me agrade a ideia de criar um sistema do zero, decidi torná-lo também um suplemento para a nova edição de Nereus. O motivo disso é simples: esta é uma forma de desenvolver conteúdo sobre temas que eu gosto – assim eu não perco tempo com criações e playtests. Quando eu quiser, desenvolvo um sistema em paralelo, mas não existe motivo para não desenvolve-lo com base no Nereus.

Desta forma o suplemento irá tomar forma aos poucos e eu decidi criar um “diário” de como será este processo de confeccionar um suplemento. Por um lado isso irá me ajudar a organizar a produção do livro e por outro, posso dar um gás maroto no conteúdo do blog. Cada post será aberto para comentários o que permitirá que os leitores possam interagir e dar seus pitacos e sugestões para o conteúdo do livro.

Então, vamos falar um pouco mais sobre o conceito do projeto, o conteúdo do livro e como ele será igual e diferente dos outros RPGs tradicionais de fantasia.

A ideia básica

Vou começar pela premissa básica do Crônicas Fantásticas. Ele será um suplemento essencialmente “genérico” dentro da fantasia. Assim como um D&D, por exemplo, ele pode ser aplicado a qualquer cenário de campanha que o grupo queira utilizar – dos comerciais até aqueles que nós mesmos criamos nas nossas mesas.

Em seu Módulo Básico, Nereus busca trazer alguns desses elementos de maneira genérica, para que eles funcionem sem um foco específico. Crônicas Fantásticas irá trazer todos esses elementos sob a ótica de um único gênero, o que torna as coisas um pouco mais fáceis de serem escritas. Com um propósito claro, posso finalmente chamar “Poder” de “Magia” – pois esta é a forma específica que poderes sobrenaturais funcionam no universo imaginário.

Ok, então foco é a principal justificativa do projeto. É um bom argumento. Mas podemos ir além.

Outro motivo é trazer algumas coisas prontas. O Módulo Básico é um excelente guia de pesca, mas não traz muitos peixes para degustação. Isso muda drasticamente com o suplemento e irá permitir que eu crie aqueles elementos comuns de fantasia que não eram “genéricos o suficiente” (ou simplesmente carente de testes) para entrar no Módulo Básico.

Ainda que os elementos sejam apresentados eu irei manter a compatibilidade ao máximo com o MB. A ideia é aplicar as regras ao invés de alterar ou criar novas mecânicas. Este é o famoso “Ruling vs. Rules” do Fate Toolkit. Vamos nos ater ao que podemos fazer com as regras já existentes para contar uma boa história de fantasia. Eventualmente uma ou outra mudança mais drástica se fará necessária para ajustar o sistema ao estilo de jogo pretendido.

Material de pesquisa

Antes de sair escrevendo, fiz uma pesquisa sobre o que já foi escrito a respeito e que eu iria querer incorporar dentro do suplemento. Existem inúmeras referências de fantasia por aí – e eu absorvi uma boa parte delas simplesmente por adorar esse tipo de literatura. Por conhecer bem o tema, eu me dei ao luxo de fazer uma seleção do que realmente pode servir de inspiração. Isso pode implicar em algumas exclusões e descartar coisas que me desagradam no gênero, como o uso exagerado da magia como recurso tecnológico, abundância de itens mágicos e conflitos em excesso.

Mas, como pretendo que este post seja positivo, vamos nos ater nas referências primordiais que farão Crônicas Fantásticas ser um suplemento com foco e temática bem determinados.

acheron_lowPrimeiramente a mitologia européia pagã. Ou seja, mitos e folclore europeu da era pré-cristã. Nesse sentido eu defini três temas centrais: a mitologia celta, a famosa mitologia greco-romana e (pela influência que exerce sobre o gênero) a mitologia nórdica. Esses três povos, de certa forma, cultuavam os mesmos deuses e tinham um panteão relativamente consistente. Não só isso, mas também seus costumes compartilhavam a mesma origem e é interessante como possuíam óticas diferentes para a mesma história. Então eu irei focar tanto nas (convenientes) semelhanças e nas diferenças.

Depois a literatura moderna do gênero fantástico. Não vou ser muito original aqui:

  • Conan, o Cimério (2 volumes) de Robert E. Howard
  • A série Fafhrd and the Gray Mouser (8 volumes) de Fritz Leiber. Não publicada ainda no Brasil (que eu saiba).
  • A saga Elric of Melniboné (6 volumes) de Michael Moorcock.
  • Senhor dos Anéis, O Hobbit e O Silmarillion de J. R. R. Tolkien.

Além da literatura, os RPGs já existentes acabam entrando na lista como inspirações:

  • Dungeons & Dragons pelo seu apelo ao Sword & Sorcery, especialmente nas primeiras edições. Negar a influência do D&D sobre um RPG de fantasia seria insensato. Mesmo que eu busque diferenças, é justamente por tê-lo como referência do que não fazer que o mantém relevante e no topo da minha lista.
  • Aventuras Fantásticas/Dungeoneer/Blacksand! porque os RPGs britânicos são os melhores do mundo.
  • Warhammer FRG porque os RPGs britânicos são os melhores do mundo [2].
  • Malmsturm por usar o mesmo sistema que eu – além de captar muito bem as nuances do clima sombrio que tanto gosto no gênero de fantasia.
  • RuneQuest mais pelo sistema e suas opções de personagens do que pelo cenário.

Conteúdo

Após definir as premissas e o material de pesquisa, chegou a hora de definir o conteúdo efetivo do livro. Óbvio que a estrutura irá sofrer ajustes ao longo de seu desenvolvimento, mas é importante definir minimamente como o livro será estruturado antes de escrever qualquer coisa.

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A medida que cada capítulo é desenvolvido, prometo postar algo aqui. A introdução já está pronta, por isso estou colocando este post introdutório – que serve como guia para o projeto.

Prefácio

Capítulo 1: Introdução
1.1 Fantasia Medieval
1.2 Crônicas Fantásticas
1.3 O que é este livro e o que você vai encontrar
1.5 Bastidores: referências e motivações

Capítulo 2: Personagens
2.1 Antecedentes
2.1.1 Parágrafo 1: Águas Passadas
2.1.2 Parágrafo 2: Crenças e Convicções
2.1.3 Parágrafo 3: Laços e Desavenças

2.2 Arquétipos
2.3 Equipamentos
2.3.1 Itens Mundanos
2.3.2 Itens Notórios (Extras)
2.4 Magia

Capítulo 3: Magia
3.1 Acesso e Aprendizado
3.1.1 Defesa/Resistência
3.2 Feitiços Menores
3.3 Magia Arcana
3.3.1 Magia Elemental do Fogo
3.3.2 Magia Elemental da Água
3.3.3 Magia Elemental do Ar
3.3.4 Magia Elemental da Terra
3.3.5 Ilusões
3.3.6 Feitiços de Cura
3.3.7 Magia Ritualística (Invocações)

Capítulo 4: Cenários de Campanha
4.1 Básico
4.2 Lugares e História
4.2.1 Mapas
4.2.2 Pontos de Interesse
4.2.3 Domínios
4.3 Religião e Magia
4.3.1 Crenças
4.3.2 Intervenção mágica
4.4 Personagens do GM (NPCs)
4.4.1 Aliados
4.4.2 Antagonistas
4.6 Lidando com situações comuns
4.6.1 Investigação
4.6.2 Diplomacia
4.6.3 Furtividade
4.6.4 Combate

Capítulo 5: Detalhes do Cenário
5.1 Cidades
5.1.1 Construindo uma cidade
5.1.2 Templos
5.1.3 Tavernas
5.1.4 Guildas
5.1.5 Boatos e Rumores
5.1.6 Encontros Aleatórios
5.2 Ermos
5.2.1 Criando uma paisagem
5.2.2 Trilhas
5.2.3 Fauna e Flora
5.2.4 Habitantes dos Ermos
5.2.5 Acampamentos
5.2.6 Encontros Aleatórios
5.3 Masmorras
5.3.1 Histórico e Finalidade
5.3.2 Salas e Corredores
5.3.3 Portas
5.3.4 Armadilhas
5.3.5 Níveis de Profundidade

Capítulo 6: Bestiário

Capítulo 7: Tesouros & Artefatos
7.1 Tesouros
7.2 Itens Mágicos
7.2.1 Poções
7.2.2 Pergaminhos e Grimórios
7.2.3 Símbolos Sagrados
7.2.4 Anéis
7.2.5 Cajados
7.2.6 Armas
7.2.7 Armaduras
7.3 Artefatos