O valor da instrospecção na criação de jogos

Todo GM é um pouco de game designer. Dadas as inúmeras opções que um sistema tende a oferecer, temos que estabelecer algumas coisas que irão valer para o jogo. Essas escolhas são feitas em cima do que achamos que melhor combina e também fruto do debate aberto dentro da mesa de jogo ou com a comunidade de jogadores.

Em tempos como o nosso, a comunicação entre jogadores de um mesmo sistema mundo afora é muito acessível. Eu não vou perder meu tempo explicando o que é internet para você, caro leitor, mas apenas gostaria de salientar que nunca foi tão fácil se comunicar com tantos outros jogadores de um sistema, por mais obscuro que ele seja. Existe uma infinidade de assuntos relacionados e ideias pipocando em comunidades virtuais e redes sociais.

Pode parecer irônico, mas escrevo este artigo para refletir uma coisa: até que ponto essa avalanche de influência é algo bom para o seu jogo?

Quando boas ideias são descartadas…

Aconteceu comigo. Estava com uma ideia para uma partida de Fate Acelerado. Iria usar dois Aspectos de Situação para descrever um item principal de cada personagem (e eles seriam aspectos do item e não de personagens), mas abandonei a ideia após ler um artigo de um dos designers do Fate Core sobre a overdose de Aspectos no jogo.  Afinal, quem era eu para discutir? O cara ajudou a criar a atual edição do jogo, a opinião tem seu valor.

Tanto que descartei a ideia.

Ao longo da partida a mesma ideia veio naturalmente e no fim da sessão, cada item tinha uma “vantagem” e uma “falha”, exatamente como havia proposto e tudo funcionou muito bem. Mas… e o artigo? Bem, certamente que o uso abusivo de aspectos é algo a ser considerado, mas relendo o artigo, eu não vi nada que impedisse de colocar minha ideia em prática – e qual minha surpresa ao ver algo parecido no próprio Toolkit?

A reflexão que eu quero que você faça aqui é:

quantas ideias próprias você relevou antes mesmo de tentar por conta de algo que leu na internet?

Eu acho que só porque uma pessoa teve uma má experiência com um jogo isso não significa que vai acontecer a mesma coisa comigo. Muito provavelmente uma pessoa que escreve sobre algo negativo terá muito rancor e expressará bem mais sua indignação do que descrever de fato o que aconteceu de errado.

E mesmo que o artigo estivesse correto acerca do meu caso, que mal há em tentar? Estamos falando de um jogo, certo?

A força do silêncio

Acho que as informações são valorosas e uma discussão com a comunidade é sempre sadia. Porém, sou também a favor de momentos em que é importante sair um pouco desse ambiente para que as ideias próprias possam florescer na sua mente e serem testadas por você e mais ninguém.

O meu conselho é: não há conselho algum. Esse pensamento é recursivo e podemos concluir que em alguns momentos compartilhar ideias, escutar o coletivo e debater tudo que se pensa é bom, mas é tão importante quanto sentar com lápis e papel em uma sala quieta e começar a escrever sobre que tipo de histórias você quer contar.

Particularmente, estou para entrar nesta fase agora. Eu não vou deixar de escrever, mas não sei até que ponto o conteúdo do blog estará antenado com tudo que está acontecendo dentro da comunidade Fate no Brasil. Vamos ver que frutos irão render disso, pois existem muitas ideias que estou colocando em prática (e essas ideias ficarão para um post futuro).