A perda de um aliado… Parte 1

Era uma fria noite de inverno. O forte frio se anunciava pela escuridão das noites cada vez mais longas. Nosso grupo se encontrava acampado a algumas horas da cidade de Marus a pedido de Marnan, visto que ele queria nos cozinhar algo aquela noite, já que ultimamente só tínhamos comido rações  duras das provisões.

Formávamos um grupo “estranho”, se assim posso dizer. Nossa líder era Fhaonna, uma amazona corajosa que cavalgava melhor que muitos homens e cansei de perder a conta de quantas corridas a cavalo perdi para a mesma. Grakul, um bárbaro dos pântanos do sul com hábitos alimentares muito estranhos. Marnan, um homem franzino, que cozinhava muito bem, e praticamente implorou para nos acompanhar. Jamamros, um feiticeiro com parte de seu rosto queimado, devido a seus estudos com magia mas de grande alma. Ricros, um necromancer nobre e mesquinho, e que em grande parte do tempo somente pensava em proteger sua própria vida. E eu, Panamros Fletcher (como gostava de ser chamado pelos estranhos, mas meus amigos me chamavam somente de Fletcher), um guerreiro muito genioso e que não costumava levar desaforos para casa, por menor que fosse.

Naquela noite, talvez pela proximidade com a cidade ou outro motivo pelo qual não sei dizer ao certo, nos sentíamos confortáveis o suficiente para não montar guarda no acampamento. Mas esse talvez tenha sido nosso pior erro.

Como sempre, escolhemos algum lugar que nos fornecesse abrigo e nos preparávamos para comer algo preparado por Marnan em nossa jornada até a cidade de Adom, afim de comprar novos cavalos, visto que os anteriores haviam virado comida de orcs. Ricros e Jamamros como sempre discutiam as diferentes escolas de magia, enquanto Grakul juntava lenha para a fogueira. Eu e Fhaonna discutíamos a melhor rota a ser feita, já que tínhamos de carregar nosso pesado equipamento.

Marnan como sempre, sumiu nesse instante para procurar o que preparar, retornando após algumas horas. Retornou ofegante e com medo de alguma coisa, mas o mesmo insistia que não devíamos nos preocupar e se dirigiu ao fogo para preparar o cozido de coelho com legumes, o prato preferido de Fhaonna.

Enquanto continuávamos com nossas atividades, escutamos o som de vários cascos de cavalo se aproximando velozmente de nosso acampamento vindo da direção de Marus. Eu e Fhaonna fomos ver do que se tratava e vimos uma tropa de aproximadamente 15 cavaleiros com o símbolo de Marus se aproximando. Quando o homem a frente que parecia ser o capitão nos avistou, ordenou que sua tropa parasse, e nos dirigiu a palavra:

– Olá viajantes. Estamos procurando um homem magro e pálido que há poucas horas matou o governante de Marus. O mesmo fugiu para essa direção após cercarmos ele nas proximidades da cidade.

– Infelizmente não vimos ninguém por aqui senhor. Mas avisaremos se alguém suspeito passar por aqui.

-Se importaria se fossemos até seu acampamento para dar uma olhada?

-Claro que não. Fique a vontade – disse Fhaonna.

O capitão então desceu de seu cavalo e junto de 6 homens foram acompanhados de Fhaonna até o acampamento. Eu fiquei ali conversando com o restante dos cavaleiros:

– Então esse cara que vocês estão seguindo matou o governante de Maraus?

– Sim. Ele furou toda a forte proteção da casa do governante, e o atacou dentro de seu escritório. Só descobrimos que o governante estava morto pois a governanta entrou no momento que o criminoso fugia pela janela e viu seu rosto.

No exato momento fomos interrompidos por gritos vindos do acampamento e uma sombra que corria em nossa direção. Rapidamente corri na direção dessa sombra e a derrubei, imobilizando-a como possível.

Aos poucos meus olhos foram acostumando com a pouca luz e pude então ver meu prisioneiro.

– Por favor Fletcher… me deixe fugir… por favor… – dizia Marnan imobilizado com os olhos lacrimenjando enquanto os soldados se aproximavam…