MISTUREBAS, ANACRONISMOS E HEAVY METAL

logoQuando fala-se em “gêneros de jogo” é relativamente comum associarmos coisa distintas, tópico a tópico: existem RPGs de Fantasia Medieval, outros Cyberpunk e outros de Horror.

Mesmo assim é possível associar gêneros fazendo-os que eles co-existam. Por exemplo, é possível lançar mão do horror em um cenário de fantasia medieval. Isso não é novidade para quem já jogou Ravenloft. Mesmo combinações improváveis já são costumeiras ou simplesmente emblemáticas como Shadowrun, misturando um ambiente cybepunk com raças fantásticas como Dragões, Elfos e Orcs.

Normalmente uma associação “simples” de dois gêneros acaba funcionando muito bem. A prova disso é a diversidade de temas “cross-overs” na literatura do RPG. Além dos títulos já citados acima, como deixar de citar o carismático Deadlands que mistura um horror bizarro com o faroeste americano?

Indo um pouco adiante, elementos princiapis de três ou mais gêneros co-existindo demanda um pouco mais de cuidado: o cenário pode simplesmente perder a identidade e cair na alcunha de “colcha de retalhos”, termo esse usualmente utilizado pejorativamente. Ou seja a diversidade torna-se mais um defeito do que qualidade.

Tentativas foram feitas, muitas má sucedidas, poucas consegiram alguma notoriedade. Este artigo não vai ficar descendo a lenha em títulos específicos, mas sim apresentar referências importantes que tornam cenários multi-gênero com alguma identidade. A essas referências irei tecer alguns comentários de como utiliza-los na sua mesa de jogo.

RIFTS, TODOS OS GÊNEROS EM UM SÓ
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Talvez o título mais importante do RPG multi-gênero seja o RIFTS. Apesar de pouco conhecido aqui no Brasil (aliado ao fato de nunca ter tido sequer uma versão traduzida), RIFTS é famoso nos Estatos Unidos. Até pouco tempo figurava entre os RPGs mais jogados. Escrito por Kevin Siembieda, RIFTS é um RPG multi-gênero. Suas regras dão suporte para diversos  elementos de muitos gêneros. Entretanto o que mais chama a atenção é que existe uma ambientação que acomode tamanha variedade. RIFTS é um cenário pós apocalíptico muito versátil.

Em um mundo onde uma grande catástrofe acontenceu após a guerra nuclear na América do Sul além de ocorrências místicas/apocalípticas, desencadeando a abertura de portais dminesionais (rifts) unindo a Terra ao então chamado megaverso. Isso permitiu, por exemplo a entrada de raças fantásticas e alienígenas ao mundo. Alguns Rifts estão permanentemente abertos, enquanto que outros “pipocam” acidentalmente de tempos em tempos.

O cenário possui elementos dos mais variados tipos, a crueza e primitivismo de um mundo pós apocalíptico permite que os elementos intrusos se acomodem muito bem e possam co-existir, mesmo que outros elementos sejam antagonicos. Então uma sequencia de grandes eventos foi o ponto de partida para que portais dimensionais se abrissem  e tambémelementos conflitantes fosse literalmente dizimados do cenário.

As possiblidades infinitas de agregar novos cenários ao megaverso é bem convincente. Qualquer rift temporário poderia abrir e traver um elemento inteiramente novo a qualquer momento. Mas não necessariamente, irá desequilibrar o conceito do cenário onde raças são definidas como aliadas ou inimigas de determinados governos.

Para saber mais sobre RIFTS, consulte o site da Palladium.

KRULL

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Uma coisa interessante de RIFTS é que ele não exclui totalmente tanto a inovação tecnológica quanto a mística. Embora sejam elementos conflitantes no cenário ambos existem.

Um filme das velhas parte de uma premissa diferente. O que aconteceria se apenas um dos lados dotasse de tecnologia e magia, enquanto que o outro lado conta apenas com a magia escassa das tradições de seu povo?

A história não poderia ser mais cliché, mas útil como fonte de idéias: um príncipe parte em missão para resgatar a princesa de uma fortaleza. Ele conta com um sábio conselheiro que o leva a obter uma arma mágica. No caminho de sua jornada, Colwyn encontra aliados como ladrões, guerreiros e magos. Um confronto direto das forças inimigas significa armas de fogo contra espadas e pedras.

O filme é uma ótima fonte de ambientação: lugares, plots e até mesmo raças exóticas podem ser utilizados em jogo. Existe até mesmo uma adaptação do filme para D20 System. que pode ser uma fonte primária para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir esse cult da fantasia dos anos 80.

ARMY OF DARKNESS (a.k.a. Noite Alucinante 3 ou ainda Evil Dead 3)

EDN6300Filme dirigido por Sam Raimi, clássico absoluto que consagrou o personagem Ash como sendo um dos símbolos dos anti-heróis dos filme de horror. Ash é enviado à idade média, onde forças malignas parecem tramar contra a humanidade. No fim das contas, Ash piora as coisas e a guerra contra as forças das trevas é travada.

A ambientação é o forte do filme, irrestível é não levar um ou outro elemento para a mesa de jogo: tanto o mestre com o clima do jogo, como jogadores que, por ventura possam interpretar personagens de comportamento tão caótico (para não dizer “trapalhão”) de Ash. E ainda melhor: é porrada em morto vivo a vontade.

Vale a pena ressaltar que a Eden Studios lançou o RPG oficial do Army of Darkness.

HEAVY METAL, UNIVERSO EM FANTASIA

Que me perdoem os menores de idade, mas muita coisa pode ser extraída da animação adulta Heavy Metal, da década de 80. Uma esfera dotada de inteligência e de comportamento maligno viaja por diversos mundo no universo com um único propósito: a destruição. A animação conta histórias por onde esta entidade passou. Cada mundo tem sua característica própria, enteretanto são conectadas por pertencerem ao mesmo universo.

Os fatos conectados muitas vezes “misturavam” os gêneros e uma mesma história podia envolver mundos de tecnologias diferentes simultaneamente. Aliás um dos pontos fortes da animação é justamente o anacronismo do cenário. Em especial a última (e mais longa) história, “Taarna”, é um mundo fantástico mas com diversos elementos tecnológicos. Mais que um “techno fantasy” puro e simples, a história apresenta, aos poucos, elementos fantásticos e tecnológicos, bem como ruínas que parecem estar lá há muito tempo. E não há estranhesa: é algo que os personagens nativos aceitam igualmente.

O velho e novo torna-se difícil de distinguir. As cenas de animação são peculiares da década de 80. Não espere técnicas avançadas e assisti-lo hoje em dia pode até parecer “tosco”. Mas sem dúvida é uma fonte de boas idéias.
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Inclusive, tanto a animação quanto a revista (que foi a base para fazer a animação) são conhecidas como sendo grandes representantes da fantasia “bizarra” dos anos 80 em diante. Se você é maior de 19 anos, Heavy Metal pode ser uma boa fonte de idéias.

PS: NÃO PERCAM O TEMPO ASSISTINDO HEAVY METAL 2000

DOSANDO O EXAGERO

RIFTS e Heavy Metal trazem algo exagerado e exótico mas com um pouco de bom senso. A idéia de misturar muitos gêneros ao mesmo tempo devem ser medidos com cuidado, do contrário você irá cais na armadilha da colcha de retalhos. Os elementos inseridos devem coexistir quase que simultaneamente: a velha receita de “cada reino, um gênero” pode se tornar cansativa a medida que a campanha avança; “Ok, que tal outra aventura baseada no folclore oriental? Pois bem, seus personagens partem para o Reino Escarlate ao amanhecer… por que? ora, porque sim!”