[Artigo]: O RPG está fadado ao esquecimento?

Nesses novos tempos (‘tô parecendo velho já), repleto de computadores e videogames potentes, com gráficos de cair o queixo e a possibilidade de jogar via internet, a “utilidade” dos jogos de RPG tradicionais foram colocados em “xeque”. Apesar dessa discussão existir faz um bom tempo, nunca se assistiu tantas mudanças em tão pouco tempo no mercado, procurando se adequar aos novos tempos (acessórios, e-books, miniaturas, formato luxuoso, ilustrações, etc).

Hoje em dia, para resumir um pouco, RPG deixou de ser o produto mais vendido por mutias editoras, que agora apelam para seus acessórios (como miniaturas e outros ‘add-ons’ como os famosos tiles e grids). E mais pra frente como vai ser? A verdade, ninguém sabe. Para muitos a única certeza é que o RPG como conhecemos vai mudar, mas não acredito que essas mudanças sejam drásticas: na verdade a única exclusividade do RPG hoje em dia é algo que o acompanha desde 1974: o cooperativismo e o fato de você estar jogando pessoalmente com seus amigos. Talvez o RPG como exercicio social seja algo em que as empresas devem se apoiar para vencer um pouco da “ameaça” dos temidos MMORPGs. Além disso os novos títulos devem falar a língua desse publico alvo. E acho que muita coisa ainda deve ser feita nesse sentido, o que não deixa de ser algo bom, pois o RPG ainda tem muito cartucho pra queimar antes de sua completa extinção.

A margem do mercado e todas suas análises, quando escrevi o XMind RPG tudo que tinha em mente era sintetizar em um curto e único volume, as minhas regras favoritas de outros sistemas e principalmente que ele fosse um sistema rápido. Além disso, minha principal preocupação quando o escrevi (e quando mestro qualquer partida) é dar um tom despojado ao jogo. Nada pior que assistir um grupo que faz uma verdadeira cerimônia para jogar (prepara todas as miniaturas, fichas, itens mágicos, armas, ataques e por aí vai). Isso pode parecer interessante para uitos jogadores hoje em dia, mas isso é passado. Atualmente, quem quer perder tempo pra poder jogar um joguinho de fantasia? Hoje é tão fácil ligar um videogame e ter logo de cara acesso à diversão. Talvez o RPG precise ser mais despretencioso, mais dinâmico e menos sério. Quanto mais obstáculos houverem cada vez menos possíveis jogadores se interessarão em jogar. Talvez um equilibrio seja alcançado pelas empresas algum dia. E sinceramente o título que mais me surpreendeu nesses ultimos meses foi o Star Wars Saga, que usa o sistema d20, mas que sua mecanica foi “mutilada” (de maneira competente) para adequar algo mais ágil e “tranquilo”.

Então talvez o RPG deva abrir possibilidades para jogos “menos sérios” e que não demande muito esforço. Não é dificil planejar uma aventura em menos de meia hora, desde que o sistema não exija do mestre e jogadores grandes preparativos. Por mais que a influência das regras dependa do próprio grupo, talvez os escritores devam se esforçar para tornar isso mais explícito e claro.

Outra coisa: o RPG devia “baixar a bola”. Nas inúmeras discussões do porque o RPG não emplaca, jogador já joga na cara: “Porque as pessoas não tem saco pra ler livro, aprender regras e exercitar a mente em um jogo um pouco mais complexo que apertar botões”. Em primeiro lugar, eu não culpo ninguém por não querer “esquentar a cabeça” quando está de folga ou querendo se divertir. Segundo que essa mania de exaltar um lado erudito do jogo (que não deveria existir) já deu no que tinha que dar, como se houvesse pré-requisitos para se jogar. Depois o preconceito da própria comunidade de jogadores em relação a algo popular encorpado ao estilo de jogo. O exemplo mais deplorável é o fato de jogadores “experientes” entrarem na comunidade “Rebeldes RPG” e afirmar categoricamente (em meio a palavrões e expressões de total desrespeito) que aquilo não era RPG de verdade.

O mesmo se extende aos jogos estilo anime, por mais que eu não goste (correção: na verdade eu odeio 99% dos desenhos japoneses) não vou ser eu o cara que vai pregar que um jogo desse estilo (e respectivos títulos) não são RPG de verdade. E mais pra frente? O que vai surgir que será excluído da comunidade de jogadores que mais parecem dinossauros velhos resmungões?

RPG só vai continuar se a frase “Vamos jogar RPG?” soe tão clara, simples e atraente quanto “Vamos jogar World of Warcraft [ou qualquer outro jogo do momento]?”